Vivendo morto
King estava lá, como sempre, naquela mesma parede, pendurado por um pequeno prego enfiado em sua garganta. Já haviam 18 anos que King estava de volta na Váci utca, a mesma rua comercial onde tudo começou.
Na vitrine da loja Straaten, adultos e crianças passavam e ficavam enojados com o boneco. Diziam que o boneco era assustador, que parecia doente. Não conseguiam entender porque uma marionete tão grotesca como aquela estava na vitrine da loja. Os olhos eternos de King seguiam à todos, para nunca serem vendidos.
Durante todos aqueles 18 anos preso na parede da loja, King nunca havia visto ou ouvido falar de sua amada Victoria em Berlim. Ele estava ficando cada vez mais louco, insano. Seus restos iriam se perpetuar por toda a eternidade alí naquela vitrine.
Aquela vida era um grande VAZIO. King se sentia um morto-vivo, vivendo uma vida que não era vida. Ele não era mais do que dois olhos azuis em uma cabeça vazia.
Um assunto recorrente que ouvia era sobre o teatro. Todos sempre admiravam o teatro e o Mestre de Marionetes. O espetáculo continuava. Havia um rumor de que o grande Mestre iria abrir um novo teatro na cidade de Londres. O teatro iria ser especialmente feito para crianças.
Mesmo assim, o teatro em Budapeste iria continuar. O novo teatro para crianças seria comandado pelo filho e pela filha de Laszlo e Emerência. Os dois aprenderam bem as artes dos pais. Aquilo iria ser uma bagunça bem sangrenta em Londres.
Enquanto King vivia como um vivo-morto, desejando a cada segundo que ele fosse para o além, Victoria estava em Berlim e pensava:
– Será que algum dia irei ver aqueles olhos novamente? Irei ver ele novamente? Onde será que ele está agora…?
Enquanto King:
– Onde será que ela está agora…?