Tristeza

Mais uma vez em estantes separadas, um virado para o outro e com o resto de seus sangues quentes em seus sistemas, King e Victoria se olharam. Nunca haviam sentido tamanha tristeza em todas as suas vidas. King sabia que se eles tirassem Victoria de sua vida, ele não seria mais nada. Não haveria mais vida. Ele estaria morto.

Sentiam um amor tão profundo um pelo outro, e dialogaram com seus sentimentos, uma última vez.

– Me diga que isso não é um adeus… – Victoria disse com seu intento.

– Lembre-se daquela borboleta… – respondeu King.

– Ela me fez chorar…

– Eu sei… Mas logo após enxugamos as suas asas para ela poder voar novamente. Eu não sei se isso é o fim para nós dois, mas sei que temos que dizer adeus. Eu também sei que eu mudaria toda a minha vida por você. Eu morreria por você.

– Me lembrarei por toda a eternidade das coisas que costumávamos fazer. Todas as memórias que eu tenho com você, aqui comigo. Só a imagem de nós dois, em meus olhos. Irei levar você comigo quando for a hora de ir.

King se sentiu incapaz, mas revoltado:

– Eu prometo… Eu prometo que vou achar você novamente. Eu irei continuar procurando… Procurando até o fim dos tempos se for preciso.

– E se eu não conseguir sobreviver sem você?

– Então me espere… Me espere do outro lado. Eu estarei lá.

Victoria começou a sentir um formigamento no corpo e já tinha percebido o que estava acontecendo. Sua visão começou a escurecer, sem sangue para viver. Em seu último momento junto ao seu amor, falou:

– Eu te amo…

– Eu também te amo… Não esqueça da borboleta. Ela não morreu.

– Eu não consigo mais lhe ver…! – achou que falou, mas King não viu e não entendeu.

King, com seus olhos eternos, continuou observando-a durante toda a noita. De manhã, antes mesmo dos primeiros raios de sol atingirem Budapeste, Emerência pegou a marionete e a levou para fora do porão. Naquele último momento de visão, King pensou:

– Adeus meu amor.