Mágica
King e Victoria pararam do lado de fora do teatro. O ar estava frio e úmido. Eles observaram, quietos, as pessoas voltando para casa. Ambos estavam procurando alguém que tinha sentido o mesmo que eles, mas não encontravam. Aquelas pessoas não poderiam acreditar que o que eles viram era mágica.
Quando o teatro já havia fechado suas portas e quase não havia mais pessoas perto, os dois começaram a andar. Andaram bem devagar e começaram a conversar. Passaram toda a noite se conhecendo, percebendo que tinham tantos gostos em comum, tão parecidos. Quanto mais King a conhecia, mais ele queria se aprofundar nela.
Foi tão bom que ambos se esqueceram, mesmo que por um momento, daquele bizarro boneco e seu tambor.
King estava anestesiado com Victoria. Não tinha percebido o quanto ela estava deslumbrante. Apesar de ser noite de natal, ela estava com um vestido longo, negro, com algumas camadas de tecido descendo desde a cintura até aos pés. No meio do vestido, indo dos seios até os pés, um vermelho vinho, sutilmente coberto pela parte externa do vestido, amarrado com cadarços negros. Usava luvas também negras, mas que não cobriam seus dedos. Por fim, um casaco por trás do vestido. Seus cabelos iam até abaixo do ombro, também negros como o vestido. Para King, aquelas vestes sombrias e deslumbrantes faziam seu coração bater forte.
De repente, enquanto Victoria contava algumas de suas vontades sobre conhecer outras culturas em países diferentes, King sentiu um forte calafrio que o arrepiou por todo o corpo. Continuou ouvindo as estórias de Victoria, mas seu corpo começou a ficar gelado, sua mente se distanciando. Sentiu como se um fantasma sussurrasse um ar frio em seu ouvido:
– Beije-a agora…
E a beijou. Um beijo espontâneo, autêntico e longo, que foi muito bem recebido por Victoria. Os dois estavam apaixonados um pelo outro. Uma sensação de amor eterno que os dois nunca sentiram antes. Naquela noite, tudo era mágico, inesquecível. Os dois viram mágica nos olhos um do outro. E desde então se tornaram amantes.
Exatamente um ano após aquela noite incrível, Victoria resolveu sair no dia de natal em busca de alguma coisa que a fizesse reviver aquilo. Decidiu que iria nas redondezas do teatro procurar algo para que os dois comemorassem mais tarde o aniversário de um ano que se conheceram.
Avisou King que iria lá, e fez questão de que ele não fosse, para não estragar qualquer surpresa que ela iria tentar fazer. O desejo de Victoria era capturar a nostalgia daquele lugar.
Saiu no final da tarde e disse que voltava até as oito.
Não voltou.