Olhos azuis

Estava tudo muito escuro quando King abriu os olhos. King não conseguia ver nada. Mesmo assim, ele estava com um sentimento dentro dele, de que não havia ninguém ali além dele. Mesmo assim, não conseguia enxergar e nem se mexer, estava ainda desorientado de tudo.

Quando começou a recuperar um pouco mais a sua consciência, ele se sentiu muito gelado. Ele achou que estava deitado no chão frio, e percebeu que suas mãos estavam presas na parede. Eram correntes de ferro, que o prendiam, e nem se ele pudesse, conseguiria se mover muito.

Enquanto sua visão absorvia o escuro em sua volta, ele foi lembrando do que aconteceu. Ao invés de desespero, sentiu uma tristeza profunda, além de um sentimento de incapacidade total. Quando começou a enxergar na penumbra, sua visão o fez lembrar do horror. Ele estava no porão do teatro.

King ficou ofegante e atordoado vendo todos aquelas marionetes grotescas, que agora lhe pareciam mais esqueletos vestidos de pele humana. Em toda a sala que ele estava, dezenas de marionetes sentadas em suas estantes. Em cada marionete, ele observava seus olhos bizarros. Os olhos estavam mortos, diferente de quando tinha visto no espetáculo.

King só conseguiu pensar naquele porão como um pecado materializado.

Enquanto olhava aterrorizado para as marionetes e seus olhos, congelou quando reconheceu alguns deles. Começou a se debater tentando se mover, sem sucesso.

– Esses olhos azuis… Esses olhos azuis… Eu os reconheço… São os olhos da minha amada… Nãããooo!

Lágrimas caíram dos seus olhos desesperados.

– Isto tem de ser um sonho! TEM DE SER UM SONHO!

De repente, todos aqueles olhos que para King pareciam mortos, se tornaram pra eles tão vivos quanto os olhos da sua amada. Não havia olhar nenhum, de nenhum deles, mas mesmo assim…

– Olhos azuis… Eu reconheço esses olhos azuis… – Continuou murmurando repetidamente, enquanto chorava e se debatia.

Aqueles olhos na escuridão acabaram com King.