Não mais eu

– Por que estou amarrado nesta cama de hospital? – King pensou, enquanto olhava para o Mestre de Marionetes e sua esposa na frente dele.

Nas mãos do Mestre estava um bisturi bem brilhante, enquanto sua esposa estava pegando um jarro vazio, pro sangue. King ainda temia pela sua vida, e muito:

– Será que isso um adeus à minha doce vida? – King pensava melancolicamente.

O Mestre de Marionetes começa:

– Primeiro os seus olhos, depois a sua pele. Vamos fazer você se sentir renascido… Não serás mais tu, meu amigo.

O bisturi começou cortando as pálpebras dos dois olhos, deixando os olhos bem à mostra. King assistia tudo e estava então chorando sangue. Com cuidado, Laszlo enfiou os dedos em volta do olho direito de King e o puxou pra fora. Emerência pegou uma tesoura e cortou o nervo ótico, livrando o globo ocular do corpo completamente. Repetiram o mesmo procedimento no olho esquerdo.

King sangrava bastante. Emerência aproveitou todo aquele sangramento e foi colocando o sangue o jarro, o máximo que conseguia. Sem os olhos, King não conseguia ver mais. Agora eles estavam em uma pequena bandeja cirúrgica. Mas de alguma forma, King ainda achava que tinha seus olhos azuis nele.

O Mestre de Marionetes pegou uma de suas marionetes, ainda incompleta, e colocou os olhos de King nos soquetes do boneco. Imediatamente, King recuperou a visão. Ele estava vendo! Mas ele estava vendo… ele mesmo.

– Estou olhando para mim mesmo… Mas não sou eu… Não mais eu… Eu não tenho mais olhos.

Confuso e ainda com uma imensa dor, sentiu suas veias como vermes morrendo queimados à luz do sol. Passou um bom tempo assim, enquanto assistia Laszlo e Emerência tirar a pele de todo o seu corpo. Seus sentidos começaram a ficar dormentes, entorpecidos.

A dor finalmente passou e King ficou um pouco mais sereno. Todo seu sangue estava agora em pequenos jarros de vidro.

– Eu deveria estar morto… Mais ainda vivo… Eu ainda vivo dentro dos meus olhos…

Por fim, viu Emerência jogar a carcaça dele no lixo.