Natal
Era dezembro e o corpo de King estava vivo novamente, desempenhando um espetáculo para o seu pai. O Mestre de Marionetes se divertia com o seu melhor e mais estúpido filho. King estava treinando para a sua próxima performance no palco. Naquele natal, ele seria o Pequeno Tocador de Tambor.
Venha, eles me disseram, param pam pam pam
Há um novo Rei para ver, param pam pam, pam
Nosso melhores presentes trouxemos, param pam pam pam
Para entregar ao Rei, param pam pam pam
Então honrá-Lo, param pam pam
Quando chegarmos…
Para King, não havia mais esperança ou vida de verdade. Naquele natal, sua alma já era quase a mesma de uma marionete, totalmente dependente de seu Mestre. Para ele, nunca nada seria como antes. Só havia tristeza em sua alma.
Em uma depressão imensurável, King pensava:
– Não há mais esperanças… Eu preciso terminar essa vida. Preciso me livrar disso…
Continuou:
– Amanhã eu não serei mais nada. Mas hoje a noite… Serei o Pequeno Tocador de Tambor. Hoje a noite… Irei ser aquele que destrói.
King entendia tudo. Aqueles segredos nunca contados, aquelas almas perdidas. Ele conhecia a escuridão e sabia que só havia tristeza ali. Só havia tristeza ao redor de todos.
– É natal novamente, e nada será o mesmo.
Naquela noite, como todo ano, o teatro estava lotado de pessoas. Pessoas felizes e animadas com o espetáculo. Como há dois natais passados, o show era o mesmo que King havia visto pela primeira vez.
Venha, eles me disseram, param pam pam pam
Há um novo Rei para ver, param pam pam, pam
Nosso melhores presentes trouxemos, param pam pam pam
Para entregar ao Rei, param pam pam pam
E agora lá vou eu
Enquanto tocava o seu tambor de forma espetacular, King resolveu se vingar de seu pai, e em seu instinto suicida, caiu propositalmente para frente com o corpo mole, quebrando seu tambor. Com o personagem principal caído, o show foi completamente interrompido e a magia nos olhos das pessoas fora quebrada. Uma grande desgraça em uma noite de natal.