A importância da Estatística na Medicina
A estatística é uma das áreas fundamentais das ciências da saúde. Em um dos primeiros artigos sobre o ensino da estatística para estudantes de medicina, num editorial do British Medical Journal de 1937, Bradford Hill já salientava que para poder ler de forma crítica a literatura científica o médico precisava dominar os conceitos estatísticos (Hill, 1965). Entretanto, o ensino da estatística só se tornou compulsório nas escolas médicas de Londres a partir de 1975 e em muitos países europeus apenas dez anos mais tarde (Altman e Bland, 1991). Nas últimas duas décadas a Organização Mundial de Saúde tem buscado estratégias para melhorar o ensino da estatística para os profissionais de saúde, tendo em vista que essas habilidades são úteis não apenas para aqueles que desejam se tornar pesquisadores, mas para todos que trabalham com a saúde, pois favorecem o pensamento crítico, lógico e científico, facilitando os processos de tomada de decisão, de análise de riscos e de avaliação das evidências científicas (Lwanga et al., 1999). A falta do conhecimento estatístico coloca em risco todo o projeto de uma prática baseada em evidências, cujo ponto fundamental é justamente a capacidade de uma leitura crítica da literatura científica (Sackett e Rosenberg, 1995).
A importância desse conhecimento se torna ainda mais relevante quando levamos em conta a imensa quantidade de erros estatísticos básicos na literatura médica (Altman e Bland, 1991) e baixa qualidade da literatura científica que, infelizmente, é muito menos confiável do que nossa intuição imagina. Em um dos artigos mais citados de 2005, Ioannidis alerta que cerca de metade dos resultados da literatura científica médica não são verdadeiros (Ioannidis, 2005) e, mais recentemente, que a maioria dos estudos clínicos não são úteis (Ioannidis, 2016). Ou seja, não apenas a maioria dos resultados são falsos, como a maioria dos resultados verdadeiros não são úteis (Ioannidis, 2016). O médico, consumidor principal dessa literatura, precisa mais do que nunca saber analisar de forma crítica esses artigos e, para tanto, a formação sólida em métodos estatísticos é de suma importância.
Entretanto, existem barreiras reais ao ensino da estatística para estudantes das áreas da saúde. A mera menção da palavra “estatística” é suficiente para evocar fortes reações emocionais de rejeição na maioria das pessoas (Hill, 1947). Estudantes de medicina muitas vezes preferem evitar disciplinas com conteúdo matemático e, via de regra, os cursos de estatística ou bioestatística não são muito populares entre esses alunos (Altman e Bland, 1991). Além disso, alunos das áreas de saúde usualmente tem dificuldade em perceber a importância dessa disciplina, não veem razão para estudar metodologia da pesquisa científica e não se sentem motivados para aprender os difíceis conceitos matemáticos fundamentais (Clarke et al., 1980; Altman e Bland, 1991). Essas barreiras podem comprometer seriamente o aprendizado da estatística pelos estudantes de medicina e, como resultado disso, fazer com que muitos médicos sejam incapazes de uma leitura crítica da literatura científica.
A performance do aprendizado de um estudante está diretamente relacionada a diversos fatores, tais como o seu grau de engajamento, ao prazer em estudar o conteúdo, ao seu sentimento de confiança na capacidade de aprender, a sua determinação para aprender. Assim, devem ser buscados mecanismos que possibilitem aumentar esses fatores. Um desses fatores é o uso de softwares estatísticos adequados. O uso de um software em cursos introdutórios de estatística deve levar em consideração uma série de fatores: disponibilidade, custo, facilidade de uso, possibilidade de geração de gráficos e imagens, facilidade de acesso a literatura sobre o software, documentação do software, disponibilidades de pacotes auxiliares, utilidade futura do software na vida acadêmica.
A linguagem estatística R associada à interface do RStudio preenchem da melhor forma possível os requisitos necessários para essa função.